30 março, 2012


"O QUINTO EVANGELHO"



Quando aceitamos a imposição de um evangelho pobre e desgraçado como esse da teologia da prosperidade, nos viramos de costas para a verdadeira mensagem da cruz, uma mensagem de resignação, de entrega, de doação de si mesmo, e não da doação para si mesmo.

Somos tão cúmplices e culpados como esses “vendilhões da fé”, que trocaram a glória futura de assentar-se com Cristo na eternidade, por um punhado de “ouro” posto em saco furado. Cúmplices à medida que nos ocultamos em nosso anonimato, para não nos posicionarmos totalmente contrários a essa espoliação e pilhagem da Cruz de Cristo.__Não sou teólogo, pastor, missionário, sou “apenas” membro. Como se o membro não fizesse parte do corpo. E infelizmente de um corpo cancerígeno, e fadado a ruína.

A morte de Deus, não foi decretada pelos ateus, nem seu conceito diminuído pelos agnósticos, ou muito menos sua existência depreciada pelos filósofos, mas sim por aqueles, que com um sutil vocabulário, o reduziram a um deus qualquer, um deus tão miserável e egocêntrico, que precisa tanto e urgentemente, de rios de dinheiro todos os dias, para saciar a sua insaciável fome, levando os seus filhos a uma falência, espiritual, moral e financeira.

Minha indignação não é contra “a”, “b” ou “c”, sinceramente, não! Mas sim em relação àqueles que alimentam esse “deus”. Esse deus diabólico, que não só consome a carne, mas, enfraquece o espírito. Não somente lança-nos mais fundo na escuridão do inferno, como ofusca a claridade do paraíso.

Não acredito nesse deus, não acredito em sua autoridade, não acredito em sua existência, nesse ponto é inevitável, eu sou ateu.

Paz e Vida


Fernando Saraiva

22 março, 2012

“Os comerciantes do templo”

Hoje em dia, um “pseudoevangelho” invadiu as nossas casas, poluiu as nossas mentes, consumiu o nosso discernimento. Os titãs midiáticos da fé usam de sua retórica, de seu palavreado manso e supostamente “ungido” para ludibriar o cada vez mais crescente número de {fãs} fiéis, seguidores e adoradores extravagantes de plantão.

Desafios e apelos em pró da “continuação da obra de deus”, sempre fazem parte da liturgia dos mestres do cinismo da fé, criaram figuras eufêmicas para caber no bolso das ofertas sem propósitos: semeadores, multiplicadores, patrocinadores, e tantas outras nomenclaturas, que representam a insanidade deste “neoevangelho”, que está mais preocupado em alimentar os insaciáveis “prostitutos da fé”, do que o de anunciar a simplicidade do evangelho.

Nos últimos anos, temos visto na mídia o levantar de uma “igreja” que se utiliza do poder sobrenatural de uma fé piegas, e das figuras carismáticas e  populares de seus lideres, que encontraram assim como muitos políticos, morada no populismo do discurso, para arrebatarem o coração de multidões!

Estes se aproveitam desse discurso, pautado, em parte na ingenuidade do povo, em parte na sua própria ganância e em parte da necessidade e urgência  que vivem para erigir um império as custas de doações, sacrifícios, fogueiras santas, campanhas dos milhões, do perfume da vida, das chaves do céu, do reino celestial, das vestes salpicadas de sangue, dos dentes, do suor do apóstolo, das lascas da cruz de cristo e do que for possível colocar na estante da mercearia da fé, que deixariam as cartas de indulgências como rascunhos de crianças!

Esta igreja, há muito tempo teve suas portas derrubadas, e cujo inferno a muito prevaleceu, não escrevo com ódio nem com rancor em meu coração, mas chega, francamente chega de vê esse evangelho triunfalista e trágico, querendo representar o testamento e a verdadeira cruz de Cristo no Brasil.

A putrefação da mensagem da cruz, a cegueira espiritual, a falta de discernimento, a não construção de uma consciência cristã critica, são fatores que contribuíram para pintar esse quadro de horror, hoje somos uma colcha de retalhos doutrinários, expostos a todos os tipos de doutrinas de demônios.

O caminho é largo e espaçoso, e infelizmente ele encontrou uma bifurcação em muitos templos, em muitas construções de tijolos que tristemente são chamadas de igreja. Que possamos repensar, o que de fato buscamos em Deus, se for pelos motivos errados eu te aconselho, pare por ai mesmo. Nunca confie em alguém que manda você fechar as escrituras na hora do culto, ou apenas pregue facilidades e prosperidade, pois foi justamente esse o discurso que o tentador usou para tentar afastar Cristo de sua obra no deserto!

Que Deus em Cristo seja louvado sempre!

Fernando Saraiva

19 março, 2012

Porta dos Desesperados: Uma igreja na UTI

Nunca, jamais, e em tempo algum, na história do cristianismo, o fato de ser cristão esteve tão em moda, como nos nossos dias. Há uma infinidade de placas denominacionais, com uma variedade ainda maior de “doutrinas e costumes”, uns até bem “esquisitos” e outros totalmente espúrios e malignos.

Hoje a fé cristã, saiu do armário, das noites perdidas em orações e ações de graça, da comunhão e do partir do pão, para alcançar a mídia, abraçar e ser dominada pelo mundo, vendendo a sua virtude em um coito demente e putrefato.

A “fé institucionalizada” flertou, assediou e se enamorou com o poder, como o grande peso do dinheiro, com os bastidores políticos, com o egoísmo e a ganância dos homens de “paletó”, do agir miraculoso de Deus nas finanças, na aquisição de mais um carro novo importado, na prosperidade sem propósito, que tem como o único objetivo, alimentar o superego do ser humano e o levar ao consumismo intempestivo.

Parece que estamos trilhando um caminho sem volta, no qual os objetos e lugares “santos”, já não representam mais a grandeza e a glória de Deus, mas, apenas um mero ambiente místico no qual você se dedica minutos em orações e clamores deterministas e insanos, atrás de vitórias e conquistas pessoais, que em nada acrescentarão na exposição prática da fé cristã e de sua máxima, “amai uns aos outros como, eu vos amei a vós” João 13.35.

Certa vez uma amiga cristã me dissera: ___Você só expõe coisas negativas sobre a igreja, será que elas não possuem nada de bom para nós? Creio nos pontos positivos e relevantes dela, mas infelizmente não posso fechar os olhos para o que vejo, isso seria indesculpável. Encontro muito mais seriedade e compromisso, em uma apresentação circense do que em muitas “igrejas” por aí.

Questiono-me incansavelmente, devo parar de expor as mazelas da “igreja” e pintar o mundo cor de rosa e  de lilás?__ Não!

A fé alheia tornou-se um grande negócio, com lucro certo e garantido. Impérios televisivos, contas em nomes de terceiros em “paraísos” fiscais, aquisições de fazendas de gado, e de tolos. Tudo isso em nome de Deus e em nome de Jesus, por um sonho, por um desafio, por uma falta de caráter desmedida e por um comodismo e analfabetismo intencionalmente bíblico fabricado.

Quem quiser vender ou repartir as vestes de Cristo por um punhado de prata, e uma lasca de cobre, pode vim, as portas do inferno, que não necessariamente são aquelas desenhadas pelas igrejas/templos, estão abertas para você, basta escolher viver um evangelho corrompido e eleger seus apóstolos, bispos e missionários, e por falar em apóstolos para aqueles que buscam um exemplo, Judas está aí!

Paz e Vida

Fernando Saraiva

01 março, 2012

A GRAÇA DE DEUS, EM UM MUNDO SEM GRAÇA”



No momento em que escrevo esse “desabafo”, inúmeras pessoas estão morrendo em um dos vários conflitos armados existentes no mundo, grande número desses, se arrastam por décadas sem uma “justificativa” plausível. Crianças perdem sua infância atuando como soldados nos campos de batalha, mulheres são violentadas tornando-se pilhagem de guerras desleais e injustas, idosos são massacrados e deixados a própria sorte, sem comida e agasalho, aqueles que não se submetem a esse regime, são terrivelmente assassinados, servindo de exemplo para aqueles que pensam em um dia rebelar-se.

Em um mundo vingativo, quem mostra misericórdia é um covarde, nas palavras de Lewis Smedes [...] O problema da vingança é que ela nunca alcança o que deseja; nunca chegará ao empate. A justiça nunca acontece. [...] Ela aprisiona ambos, o injuriado e o injuriador, a uma escada rolante de sofrimento [...]. Temos o prazer de guardar as feridas, as ofensas, as magoas, no recanto mais sombrio de nossa alma, e volta e meia revisitamo-la como forma de reviver cada momento com um gosto de quero mais, resultando na edificação de um muro construído de indiferença e de aversão.

O que difere o cristianismo das demais religiões é justamente o peso do perdão, teológica e sabiamente denominada de graça [favor imerecido]. Favor pelo qual Deus do alto de sua glória, perdoa-nos de todas as ofensas, agravos e distanciamento moral e ético pelos quais nos encontramos mortos e separados dEle, e nos reúne em um mesmo rebanho, sem levar em consideração nada de bom que exista em nós. Somos um único rebanho, formado por diferentes tribos e nações, onde a língua oficial é o perdão, e bandeira o amor.

Muitas vezes perdoar não é tão fácil como imaginamos, requer um duplo sacrifício, requer renuncia, exige de nós uma sobre carga terribilíssima de amor [de Graça], mas que resulta em uma vida sem o gosto amargo do rancor e do ódio.

Foi pelo preço do amor que Cristo padeceu na cruz, que nos dediquemos a buscar mais a Cristo e o seu exemplo, amar até mesmo aquele que perfura o seu peito.

Reflexão e Graça!

Fernando Saraiva

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