03 julho, 2026

Reconectar-se

Ao voltar a escrever, depois de meses, anos em silêncio, não o sei, o desejo que dormia dentro da minha mente organizadamente caótica, despertou. Volto-me para as coisas que um dia, lá atrás, amava: a fé, o conhecimento, a teologia, e com elas, o desejo de sonhar novamente…

A jornada até aqui não foi fácil e de ninguém será, lutas diferentes não mudam o fato, da existência delas. Houve momentos de paralisia, o peso da procrastinação, o receio de ser julgado. O ansioso sofre duas vezes, e o temor de ser visto como alguém fora da curva, um estranho no meio da multidão, sinaliza muito sobre o estado melancólico colérico da mente, o simples e o profundo coadunando em um abismo indecifrável de dormência e agitação, sobre a superfície um estado, de que nada importuna, mas na profundidade, tudo se revira pelo avesso não menos que algumas milhares de vezes.

O hiato por vezes é necessário, e não é medido pelo tempo, disponibilidade ou escassez, ele é medido pelo significado, pelo sentido de ser do porquê! Ao reencontrar o caminho lógico do teclado, percebi que, que cada pausa foi, na verdade, um respiro, lento, profundo e necessário. 

A respiração não parou, aprendeu a se silenciar e prolonga-se no tempo, guardando para si, o momento de renascer. E assim, aquelas palavras  encontradas no vazio, se tornaram pontes para um novo tempo, para uma nova coragem, para um novo ato de rebelar-se.

Escrevo, não mais no anonimato das tintas invisíveis, não uso tinta aliás, minto por verás, antigamente este que vós escreve sobre o desejo de escrever, tinha tintas preenchidas em cadernos, imortalizados na mente e destruídos pelo tempo, devemos racionalizarmos a nossa própria existência, ela de fato se encerra no exato momento, em que  morremos? 

Escrevo não apenas pela vontade de existir, mas como quem quer partilhar a própria vida, com cada letra, verso e prosa, que revela que o tempo não venceu, ele apenas fez uma pausa, mas foi uma pausa que me trouxe paz. E, acima de tudo, reconectou-me a mim mesmo, e que observa-se na perspectiva do observador! 

Carpe diem…


Resiliência da Fé

Demonstrar quem você é para o mundo não é um ato de exibição, mas uma escolha de autenticidade. Você não é definido pela religiosidade que professa, mas pelas suas ações diante das circunstâncias da vida.

Haverão momentos em que o mal baterá à sua porta, e você se verá diante da dor, do questionamento, da incerteza. Mas, mesmo assim, você é chamado a responder com fé, com esperança, com amor.

Não se trata de fugir das perguntas, mas de caminhar, passo a passo, sendo o sal da terra, que não perde o seu sabor. Pois, como diz em Mateus 5, versículo 13, 'vós sois o sal da terra; mas, se o sal vier a ser insípido, com que se há de salgar?'

O fato de ser cristão não retira o peso do mundo sobre as suas costas, muito embora alguns assim acreditem, não somos santos perante pecadores, somos falhos que resolveram encarar a si mesmo, diante a nossa robustez diminuta. 

As falhas que se somam ao a_caso de viver, são repelidas e expostas pela polícia moral que não segue a cartilha que nos fora ensinada quando "bebês na fé", porém não percebidas pela  maturidade que a vida por si mesmo procede.

Não posso, contudo, esconder o choque do que falo, penso e não ajo. Diante das falhas, das incertezas do que virá, o maior conforto para si é a fortaleza que é a fé em Cristo Jesus te manterá de pé. Na en_cenação de Pedro, que teve coragem de sair do barco, sejamos ousados em caminhar rumo a Jesus, confiando nEle, sem olhar para o vento, mas olhando somente para quem o  é em sua totalidade, Ele. 

Para ser sincero, a maior encenação de todas, é crermos em nossas próprias certezas, sem, contudo, nunca prová-las de fato, mas, se nesta minha incerteza de que crer sozinho não for suficientemente forte, que assim, possa agir sobre os meus atos, e não limitar-me a apenas crê, mas no permanecer! E o permanecer será o mais concreto ato de demonstrar em minha religiosidade uma escolha de minha autenticidade. 

01 junho, 2025

O evangelho das redes sociais

Após muitos anos sem escrever publicamente, dou-me o direito de novamente deixar transparecer um pouco de mim, na dinâmica de um mundo de escuridões claras demais para cegar a mente daqueles que buscam virtudes em mentiras. Somos seres mitologicamente fadados ao erro, ao engano, as escolhas perfeitamente estupidas e incorretas. 

Vivemos em redes, redes de amizades, rede de mentiras, redes de falácias, encasulados em nossos próprios enredos inverídicos, construímos ídolos superficiais, estampados nas redes sociais, seguidos, curtidos, idolatrados no fazer cotidiano do ócio da fé, da ideologia, da supremacia do pensar terceirizado. 

Vidas artificiais, adoração fantasiada, êxtase da absurdidade, centros do desserviço, templos da perversidade, tempos do descaso e desamor, transvestido de casas de Deus, de falsos cuidares, das preocupações fingidas e infligidas de um falso pastoreado. 

Mentes sem juízo somam-se em prejuízos, alienação da fé, da conta bancária, da geladeira vazia que serve de combustível para o helicóptero do profeta de multidões perdidas, perdidas no pecado, na sede por Deus que alimenta a ganância dos homens, entorpecidas na fé “de mais” que carniça, que chama os abutres e oportunistas de plantão. 

Não se enganem, no escárnio, nas firulas dos altares corrompidos, das águas santas batizada nas “porcinhas” da ignorância, ademais perdidas nas páginas da bíblia mal lida, mal entendida por uns e mal ditas nas bocas de outras. 

Pena tenho desse exército dos oprimidos, que são confundidos com tilintar das moedas de ouro, prata, bronze ou cobre, que só servem na prática para a zombaria dos que pregam mentiras e são venerados por bênçãos que somente eles desfrutam. 

Que possamos abrir os olhos, a mente, a bíblia, e não deixar que a cobiça de uns seja o combustível do fogo que leva muitos a perdição, de seus bens, da sua sanidade mental e de seu amor por Jesus. 

Graça e paz, 

Fernando Saraiva

28 outubro, 2022

Viva o renovo de Deus



Extraído de: Comunidade Evangélica Pescadores de Alma

Quero nesta noite, saudar a igreja com a paz de Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo, que reina e vive eternamente. Gostaria de usar em poucas e breves palavras uma mensagem de reflexão que se encontra em Romanos 12: 2,3 e tem por título Viva o renovo de Deus.
Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele. Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu.
Quero partilhar com os irmãos e irmãs, a profundidade de um cristão que não seja, como Cristo. Por muitos anos, nós evangélicos, nos colocamos fora a parte de muitas discussões e problemas, nos escondíamos em pseudas verdades, estamos em Cristo, não em crise, e por vezes por desconhecemos os dilemas e problemas de importantes personagens das escrituras, tais como: Elias, Davi, Moisés, Salomão, Rute, Paulo e tantos outros, que embora estivessem guardados em Deus, passaram pelos processos de perda, perseguição, tentação, orgulho, inveja, perigosos de vida e pelos três D, desamparo, desalento e depressão! 

Quero aqui pedir licença aos irmãos e irmãs para ler às palavras Brennan Manning escrita na abertura na abertura do livro - Convite à Loucura. “Para mim, um cristão é ou um homem que vive em Cristo ou um impostor. Vocês, cristãos, não percebem que é com relação a isto — ao testemunho quase superficial que vocês dão de Deus — que nós os julgamos. Vocês deveriam irradiar Cristo. Sua fé deveria fluir para nós como um rio de vida. Deveriam nos contaminar com seu amor por ele. E assim, então, que Deus, que era impossível, se tornaria possível para o ateu e para aqueles de nós cuja fé oscila. Não podemos evitar o choque, o transtorno e a confusão que sentimos ao ver um cristão que seja, de fato, como Cristo. E não o perdoamos quando ele não o é".

Sei que as palavras de Brennan são fortes e críticas, no entanto, as palavras do espírito santo de Deus, são mais fortes e constituem pilares eternos para a nossa salvação, conforme expressa Romanos 1:16,25.

Eu não me envergonho do evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvar todos os que creem, primeiro os judeus e também os não judeus. [...] Eles trocam a verdade sobre Deus pela mentira e adoram e servem as coisas que Deus criou, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser louvado para sempre. Amém!

A carta aos Romanos, é um dos livros mais emblemáticos do novo testamento, nele podemos extrair conceitos como pecado, separação de Deus, graça, justificação pela fé e renovação da mente por meio da iluminação e regeneração, entre outros aspectos. Foi exatamente a leitura deste livro que levou Martin Lutero, a afixionar as suas 95 teses a respeito do distanciamento da igreja católica das escrituras, o que provocou o segundo grande cisma da igreja, ou seja, que deu origem a igreja protestante, aquela que protesta contra os caminhos desse mundo! 

Ao adentrar ainda mais as certezas do texto lido, acredito que nós jovens, nos igreja de Cristo, prosélitos e ou experientes na igreja, muito embora isso, não seja sinônimo de comunhão com Jesus, não devemos nos esconder na nossa pouca idade para realizarmos a obra de Deus, e ou em condições adversas a nós, Moisés sofria embaraço com sua articulação vocal, Davi era de pequena estatura, e Jesus não havia formosura alguma em seu aspecto físico. Conforme o texto implica, não se achem “melhores do que realmente são” e “nem piores do que realmente são”! 

Nas oportunidades que me foram dadas de dialogar a respeito das escrituras e sobre a vida cristã, trago sempre a memória, a necessidade de estarmos em pose de três chaves espirituais, Vida de oração, leitura das escrituras e comunhão com Deus e com os irmãos. 

Não somente a juventude, mas a igreja de Cristo, precisa se perceber e tomar posse dessas chaves, você pode e será tentado na sua escola, no seu local de trabalho, aonde quer que andares, no entanto, é justamente na tua mente que as maiores batalhas acontecem, e não é por acaso que as escrituras nos alertam respeito da necessidade da renovação dela todos os dias, ao texto “vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.” mediante a renovação da nossa mente! 

Por fim, De que forma então, alcançaríamos essa mudança de mentalidade? Devemos ter e buscar manter um relacionamento com espírito santo de Deus, e aqui, abro um questionamento final, por mais que estejamos em uma igreja pentecostal, conhecidos pela manifestação dos carismas ou dons espirituais, devemos sair desde local hoje, conhecedores que a principal função do espírito santo de Deus, é atuar no processo regenerativo, conforme relata João 16:8 na qual a palavra diz expressamente “Quando o Auxiliador vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas têm uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus.” 

Talvez, e aqui falo especificamente aos jovens, vocês possam terem visto, um irmão ou irmã sendo muito usado por Deus, manifestava os dons espirituais, emanava o aroma de Cristo, chegando até mesmo a conhecer o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e que escaparam das imoralidades do mundo, mas depois foram agarrados e dominados por elas, ficando no fim em pior situação do que no começo. Conforme expressa 2 Pedro 2:20. Saibam que devemos, pensar com humildade a respeito de nós mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu, vigiando sempre, orando sempre, buscando, o renovo de Deus todos os dias até a volta de Cristo!, Amém.

Texto: Utilizado como pregação na Igreja Assembleia de Deus, Campo Manancial - Congregação Efraim - 04 11 22

21 agosto, 2022

Uma igreja sem Cristo


Início essa reflexão com a frase de C. S. Lewis que disse: "De todos os homens  maus, os homens maus religiosos são os piores". Em nome de Deus, homens maus religiosos torturaram mulheres na idade média, acusando-os de bruxaria simplesmente por desejarem elas, lançaram desafetos no cárcere e aprisionaram negros em navios da escravidão e os desterraram em terras longínquas. 

Homens religiosos, porém maus, lançaram vidas inocentes em meio a prédios de uma metrópole americana, perseguiram  judeus e minorias. Detonaram bombas atômicas, em busca da paz e tornaram o mundo reféns dessas bombas! 

Homens religiosos maus, amantes do amor e da paz, promovem guerras para alcançarem uma paz inalcançável. Elegem políticos sabidamente corrupto em benefício próprio e outros totalmente incompatíveis com o cristianismo.

Foram homens religiosos, que crucificaram Jesus e soltaram Barrabás. Somos nós também, frutos de um cristianismo que não soube reconhecer seu erro e voltar a escrituras, e mesmo voltando  nos dividimos em tanto outros  de visões e práticas quase que irreconciliáveis. 

Nossos cultos louvam a nós mesmos, pregadores com cachê para falar bem de quem o contratou, outros tantos sem oportunidade por justamente expor adequadamente as escrituras. 

Vivemos um caos bíblico e mal reconhecemos o cristianismo que outrora fora pregado pelos pioneiros, e apesar disso tudo, nos achamos dignos de sermos chamados de cristãos?


São Luís, 17 de agosto de 2022

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