Ao voltar a escrever, depois de meses, anos em silêncio, não o sei, o desejo que dormia dentro da minha mente organizadamente caótica, despertou. Volto-me para as coisas que um dia, lá atrás, amava: a fé, o conhecimento, a teologia, e com elas, o desejo de sonhar novamente…
A jornada até aqui não foi fácil e de ninguém será, lutas diferentes não mudam o fato, da existência delas. Houve momentos de paralisia, o peso da procrastinação, o receio de ser julgado. O ansioso sofre duas vezes, e o temor de ser visto como alguém fora da curva, um estranho no meio da multidão, sinaliza muito sobre o estado melancólico colérico da mente, o simples e o profundo coadunando em um abismo indecifrável de dormência e agitação, sobre a superfície um estado, de que nada importuna, mas na profundidade, tudo se revira pelo avesso não menos que algumas milhares de vezes.
O hiato por vezes é necessário, e não é medido pelo tempo, disponibilidade ou escassez, ele é medido pelo significado, pelo sentido de ser do porquê! Ao reencontrar o caminho lógico do teclado, percebi que, que cada pausa foi, na verdade, um respiro, lento, profundo e necessário.
A respiração não parou, aprendeu a se silenciar e prolonga-se no tempo, guardando para si, o momento de renascer. E assim, aquelas palavras encontradas no vazio, se tornaram pontes para um novo tempo, para uma nova coragem, para um novo ato de rebelar-se.
Escrevo, não mais no anonimato das tintas invisíveis, não uso tinta aliás, minto por verás, antigamente este que vós escreve sobre o desejo de escrever, tinha tintas preenchidas em cadernos, imortalizados na mente e destruídos pelo tempo, devemos racionalizarmos a nossa própria existência, ela de fato se encerra no exato momento, em que morremos?
Escrevo não apenas pela vontade de existir, mas como quem quer partilhar a própria vida, com cada letra, verso e prosa, que revela que o tempo não venceu, ele apenas fez uma pausa, mas foi uma pausa que me trouxe paz. E, acima de tudo, reconectou-me a mim mesmo, e que observa-se na perspectiva do observador!
Carpe diem…

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