21 agosto, 2022

Uma igreja sem Cristo


Início essa reflexão com a frase de C. S. Lewis que disse: "De todos os homens  maus, os homens maus religiosos são os piores". Em nome de Deus, homens maus religiosos torturaram mulheres na idade média, acusando-os de bruxaria simplesmente por desejarem elas, lançaram desafetos no cárcere e aprisionaram negros em navios da escravidão e os desterraram em terras longínquas. 

Homens religiosos, porém maus, lançaram vidas inocentes em meio a prédios de uma metrópole americana, perseguiram  judeus e minorias. Detonaram bombas atômicas, em busca da paz e tornaram o mundo reféns dessas bombas! 

Homens religiosos maus, amantes do amor e da paz, promovem guerras para alcançarem uma paz inalcançável. Elegem políticos sabidamente corrupto em benefício próprio e outros totalmente incompatíveis com o cristianismo.

Foram homens religiosos, que crucificaram Jesus e soltaram Barrabás. Somos nós também, frutos de um cristianismo que não soube reconhecer seu erro e voltar a escrituras, e mesmo voltando  nos dividimos em tanto outros  de visões e práticas quase que irreconciliáveis. 

Nossos cultos louvam a nós mesmos, pregadores com cachê para falar bem de quem o contratou, outros tantos sem oportunidade por justamente expor adequadamente as escrituras. 

Vivemos um caos bíblico e mal reconhecemos o cristianismo que outrora fora pregado pelos pioneiros, e apesar disso tudo, nos achamos dignos de sermos chamados de cristãos?


São Luís, 17 de agosto de 2022

Tornando-me menos do que sou.


Ao se converter a fé cristã evangélica temos a falsa impressão que basta carregar a bíblia ou baixar um app no celular, usar camisa comprida ou com frases cristãs, frequentar um lugar que denominamos de  igreja, que nasce um novo "crente", se fosse assim, simples, bastava comprar um dicionário e um novo poeta ou poetisa acabaria de florescer... Bem, como nem todo Chico é Francisco, assim também é o cristão!

Tornando-me menos do que sou, nunca fui o cristão que um dia pretendia ser, e explico os porquês! O cristianismo requer abnegação, resiliência, compaixão, altruísmo e kenosis, Fernando, abnegação, resiliência, compaixão e altruísmo eu conheço, mas kenosis? 

Kenosis, na teologia é o termo que refere ao esvaziamento de si mesmo, que Jesus passou, um processo de humilhação no qual ele abriu mão de certos atributos divino para se fazer como nós, humanos.

Infelizmente, o cristianismo dos filmes, das reflexões do Instagram, das frases "sermônicas" de camisetas, chaveiros e canecas, não é o cristianismo real, do vivido diariamente! E eu estou cansando disso tudo! Discursos comprados, brigas por cargos, narrativas mentirosas, fofocas, orações contrárias, intrigas, autoego, perseguições... Pessoas que se acham donas de grupos, lideranças de templos e igrejas! 

Em um texto antigo, mas atual, "igrejas cheias de pessoas vazias", retrato a qualidade de cristãos que frequentam aqueles lugares que teimam em chamar de "Casa de Deus", na qual todos mandam, menos ele mesmo! 

É necessário repensarmos  o tipo de cristãos que nos tornamos, o tipo de igreja que frequentamos e o tipo de Cristo que anunciamos... Tive que renunciar a lugares, posições... e isso faz toda a diferença... Ainda tenho que renunciar mais, e em breve o tempo não somente curará às feridas que ainda doeem, como mostrará que não busco para mim o cristianismo do tempo de viver conquista e da exposição midiática.

Oro à Deus e a Jesus, que um dia posso torna-me o cristão que um dia experimentei viver nas leituras de livros, pois na vida real nenhum de nós somos!

15 maio, 2021

Temporal

Na língua portuguesa, há inúmeros significados para a palavra temporal, dentre estes, cito alguns: relativo a tempo, chuva com intensidade elevada, uma passagem de tempo, passageiro, temporário, provisório bem como, algo relativo ao profano, não religioso, não espiritual, mundano.
Imagem da Internet


Ao pensarmos bem, são inúmeros os significados e suas aplicações! Vou me ater nesta provocação, ao sentido psicológico do termo temporal, espero que o leitor não se decepcione, ou se, realmente haverá alguém que se importe em ler... 

Quando o céu está nublado, nuvens cinzas, carregadas, trovões ao fundo, olhamos e de certo modo tememos o que virá, uma tempestade talvez? Chuvas fortes, riscos de enchentes, inundações, desmoronamento, vidas humanas em risco, no entanto, há certos temporais que não nos demos conta, certos riscos, enchentes, inundações desmoronamentos, que se escondem na superfície serena da pele, do corpo, da alma, e como são terríveis esses temporais!

Na superficial camada da pele, nenhum telescópio é capaz de enxergar as nuvens tempestuosas formadas, um sorriso, uma leve sombra de maquiagem, já é suficientemente capaz de negar a dor que o silêncio solitário da existência teima em confrontar aquele quem carregar tamanha dor! 

Às lágrimas mais dolorosas, são aquelas que caem para dentro, que não se libertam e não encontram sua alforria e nem o seu destino de serem secadas por mãos que afagam! 

Tempestades! Cada tempestade interna ou externa, tem seus riscos particulares, suas extensões preliminares, suas consequências inevitáveis. Qual a solução para tudo isso, questiono!? 

 A vida é um amontoado de improvisos e imprevistos, porém, devemos dentro das nossas possibilidades, construir fortalezas que nos protejam das tempestades que certamente um dia iremos enfrentar, no entanto, devemos distinguir que fortalezas não são prisões, fortalezas nos protegem, prisões nos limita. 

 Nunca desista, você já deve ter ouvido falar ... depois da tempestade vem a bonança! Curta o seu tempo debaixo do sol, sinta o cheiro da primavera, o calor do sol ...e a renovação da paisagem, aproveite o tempo, às convivência e você mesmo, lembre-se o seu maior patrimônio é quem você é... e isso a tempestade não leva!

Por: Fernando Saraiva 
São Luís, 14 de maio de 2021.

13 maio, 2021

O MEDO DE NÃO SER ALGUÉM

A vida é repleta de medos e temores, o medo nada mais é, que a ausência da coragem, ou melhor dizendo, de atitude! Por vezes, nos escondemos em hipóteses e construímos nossas vidas em constâncias inexatas. 
Imagem da Internet


O mundo é mais velho do que a nossa existência, o velho céu sobre as nossas cabeças, já presenciou mais choros e lágrimas de arrependimento, do que possamos imaginar. 

Por vezes, passamos boa parte da nossa trajetória, colocando-nos reféns em expectativas alheias as nossas vontades, justamente por medo de não sermos alguém! 

Vivemos boa parte de nossa história, buscando nos apoiar em  mimos existenciais, da mais efêmera necessidade platônica de ser reconhecido por outrem, que pasmem, também construiu sua existência em hipóteses e constâncias inexatas, sem valor algum para aqueles que eles achavam que deviam igualmente agradar! Que triste tudo isso!!!

Devemos em algum momento de nossa pueril existência, acordamos da nossa matrix real, e sermos o nosso próprio Neo, negando em nós a permanência deste eterno ensaio de um ciclo vicioso de tempest_idades que nos consome na mais triste sinfonia de desamor próprio, ciclo este que chamamos de vida.

Vida esta, que nunca  de fato vivemos para nós mesmos, mas sim, à  tentativa infindável e infundável de viver as expectativas e planos dos outros!

Devemos buscar, no intervalo da finitude humana comum a todos (vida e morte), um real e verdadeiro sentido de sermos quem somos de fato, e não o espectro das intencionalidades e desejos daqueles que letargicamente tentamos  agradarmos, ao invés disso, devemos  tornamo-nos agradáveis a nós mesmos, vivendo nossas próprias expectativas, e nos deparando com as nossas próprias frustações! Frustrações e enganos, que cabem exclusivamente à nossa consciência aceitar, aceitar a responsabilidade que carregamos ao viver em voo solo!

Vencer o medo de não ser alguém, pode a priori ser mais difícil do que pensamos, mas lembre-se, viver é muito mais que existir, as pedras existem, mas não tem domínio de si, antes são chutadas, amarradas e escondidas... Não sejamos com a pedra a mercê de tudo, sejamos com as andorinhas, que podem até voar em bando, mas, fazem do seu voo solo, a sua própria existência! 

Por: Fernando Saraiva 
São Luís, MA, 08 de maio de 2021.

25 setembro, 2020

O CONVITE À LOUCURA

Há anos tenho esta frase como parte integrante do meu blog pessoal: 

“Para mim, um cristão é ou um homem que vive em Cristo ou um impostor. Vocês, cristãos, não percebem que é com relação a isto — ao testemunho quase superficial que vocês dão de Deus — que nós os julgamos. Vocês deveriam irradiar Cristo. Sua fé deveria fluir para nós como um rio de vida. Deveriam nos contaminar com seu amor por ele. E assim, então, que Deus, que era impossível, se tornaria possível para o ateu e para aqueles de nós cuja fé oscila. Não podemos evitar o choque, o transtorno e a confusão que sentimos ao ver um cristão que seja, de fato, como Cristo. E não o perdoamos quando ele não o é". (Convite à Loucura - Brennan Manning).

Já pensei inúmeras vezes em resignificar o nome que dar origem ao meu blog, no entanto, mesmo no silêncio textual que me cerca a muitos anos, há dentro de mim um terremoto de novos textos guardados e ansiosos para evidenciar na luz da crítica o repouso que merece.

A exposição de Brennan Manning fala sobre os cristãos, no entanto, quero fazer referência a todos aqueles que de algum modo, acreditam em uma divindade, e faço um singelo questionamento a estes! Vocês se sentem  verdadeiramnete representantes do seu Deus? A resposta a esta pergunta indicará dois caminhos distintos, no entanto, não estou aqui para respondê-la!

As religiões e ideologias que se amontoam no campo da guerra moral, que é a mente humana, por vezes, justifica o injustificável, banaliza o essencial, negligência o impoderável. 

Atualmente o chamado "ódio do bem", tomou conta dos discursos positivistas de alguns, a guerra moral que outrora falei, tornou-se corriqueira, o bem que desejo aos outros, depende dos "outros" de quem simpatizo ou tenho certa admiração, os outros, "outros", estes compõe o grupo que merecem a justiça do "ódio do bem", que não vem para o bem, senão para os olhos daqueles que alimentam o revangismo e a vingança... Transvestidos de justiça, social, econômica e ou divina!

Brennan Manning deslocou seu sensato humor textual, para tratar do esvaziamento moral e ético de muitos cristãos, que sendo seguidores de um Cristo, falsearam os seus princípios, em atos dignos de repulsa e indignação, que causam desanimo e desconforto naqueles que conhecem o Cristo falado, mas, não se sentem representados no modo como os seus seguidores agem e demonstram seus ensinamentos!

O convite à loucura que refiro-me neste preâmbulo diminuto do pensar, não faz referênça a nenhuma divindade e aos seus seguidores de modo específico, tão somente desvela o cinismo com que todos nós, seres humanos, enloquecemos em nossos próprios depósitos de incoerências que somos, se há uma vida inteligente fora de nosso globo celestial que chamamos de planeta terra, eles são de fato inteligentes em não se contaminar com a nossa profunda e contagiosa loucura, uma loucura que transcede quaisquer religião ou ideologia, pois ela está e se multiplica pelo simples contato com o contraditório que enxergamos no outro e não em nós mesmos"

São Luís, 25 de setembro de 2020.

Por: Fernando Saraiva e Fernanda Dutra 

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