
São inúmeras as razões que me fazem escrever, refletir e questionar a minha fé. Muitos se perguntam a respeito de minhas motivações e de minhas convicções, muitos dos meus textos são pesados e duros, pois em muitos deles reconheço minhas fraquezas e dissimulações.
Meus companheiros de jornada, eu sou o mesmo de antes, talvez um pouco menos encantado com a fé nossa diária.
Frente aos meus textos, não o culpo, se achou que eu seja uma ateu, não sou, e nem antirreligioso, antideus, nada disso, e se você pensou isso, eu posso lhe garantir que está errado! Louvo a Deus pelas vidas de homens e mulheres que conseguiram manter suas fés em alto nível, sempre fortes e aparentemente inabaláveis, infelizmente não é o meu caso, assim como Lutero escreveu a seu amigo na ocasião da morte de sua filha menor, “faltou-me a fé” em muitos pontos da caminhada!
A fé cristã não é fácil, ela requer bem mais do que pensamos, ela exige renúncia, ela te faz perguntas, ela te confronta todos os dias a respeito da distância entre o ler, ouvir, crer e praticar… E COMO temos falhando no praticar!
A verdade é que as pessoas geralmente preferem as respostas fáceis, os caminhos menos tortuosos, sem complicações diárias de confrontar-se com desafios para expor, compreender e viver a sua fé com toda a transparência possível.
Enganam-se aqueles que acreditam que somos bons, ou que temos algum valor especial para Deus, só por que em algum ponto das escrituras dizem que que Deus nos amou muito “ que deu seu único filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16. Em certo sentido essa frase leva-nos a um engando, que muitos reproduzem sem se darem conta e ou se dando conta, jogam no colo de Deus essa responsabilidade.
O que muitos dissimulam é que o criador não nos amou gratuitamente, ele nos viu tão inclinados para o mal, irreconciliáveis, inimigos e zombadores de Deus, que fez do filho, sua essência, natureza e substância perfeita, um elemento de maldição para que hoje pudéssemos sermos constituídos filhos e herdeiros de Deus pelo ministério de sacrifício de Cruz realizado pelo Senhor Jesus, Gálatas 3:13, que não carregou uma simples cruz, que não teve simples pregos cravados em suas mãos, e ou sofreu escarnio e teve uma coroa de espinhos cravada em sua testa, só porque Deus te amou, mas sim porque você é um pecado irreconciliável. Compreender certas verdades da fé cristã, quase nunca é um passeio simples pelo bosque.
É bem mais fácil entender que Deus é amor do que de fato entender que o conceito de amor de Deus é diferente do nosso conceito, ou será que qualquer pai em sã consciência, daria seu “filho” para ser açoitado, crucificado e morto pelos pecados de estranhos?
Os anos de caminhada me fizeram ter uma visão um tanto quanto diferente a respeito disso tudo, do cristianismo do púlpito, do cristianismo que confesso,, ao cristianismo que vivo... Acredito que a igreja cristã precisa se preparar para esses três tipos de cristianismo, e não somente massagear o ego de muitos por medo de perder fiéis para a igreja da esquina que prega facilidade e ou para as religiões emergentes que pregam outro caminho, cristianismo nunca foi número, mas gente!
Por fim, a mensagem que se prega no culto do domingo, deve ser uma mensagem viva, que atravesse a semana, que saia de dentro do templo para se tornar mais real, e menos distanciada da conversa franca na mesa do café, ou no papo descontraído com os colegas de trabalho.
A mensagem do púlpito precisa, necessita e tem urgência de ser uma mensagem que eu possa aplicar no meu dia a dia, e em relacionamentos com pessoas que possuem uma fé diferente da minha, que possuem uma ideologia diferente da minha, e que acima de tudo, faça florescer em mim o desejo de ser verdadeiramente aquele de quem trata o Salmo 15, e talvez só assim com este dialogo franco comigo mesmo e com o próximo, possa entender a minha fé, e fazer com que Deus e o Senhor Jesus, se tornem reais e presentes nas vidas dos des_crentes como eu.
Paz e Vida,
Fernando Saraiva
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