20 outubro, 2012

Eu, Deus e a existência do mal

Não importa aonde você se esconda e a quem você procure, o mal sempre te alcançará, foi assim no gênesis, não adiantou muita coisa viver em um mundo perfeito, na verdade  ele não existe, nem mesmo quando Deus passeia pelo jardim.

Aonde estava Deus quando ecoava no jardim a mordida no “fruto proibido”? Este é um dos fatos mais intrigantes na narrativa bíblica, e que implicou diretamente em todas as outras  histórias que se sucedem até culminar na pessoa de Jesus.

Enquanto Deus passeava e contemplava sua criação pelo jardim, um terrível mal alcançava a maior de todas as criações de Deus, o homem, na forma de uma serpente, veio à tentação, o desafio, e a vontade de ser “igual” a Deus. Por um instante um som diferente era ouvido no jardim, e que ecoou em toda a humanidade, a criação “perfeita” de Deus caíra.

O Deus amoroso dos primeiros dias sai de cena e dá lugar a um deus punitivo, que de forma arbitrária ou premeditada expulsa o homem do paraíso, põem anjos com espadas de fogo a vigiar a árvore da vida que estava no meio do jardim, proferiu palavras de maldição sobre os homens e a terra. Fez com que o homem sentisse dor, fome e frio, resultado de um pecado que ele mesmo causará?

O que era para ser um sonho evoluíra drasticamente para o início de um grande pesadelo, mortes, conflitos, guerras e muitas lágrimas se seguiram. Mas, uma pergunta vem persistindo até hoje: “Aonde estava Deus quando ecoava no jardim a mordida no “fruto proibido”?

Particularmente não creio na existência de duas vontades conflitantes habitarem o mesmo palco, ou Deus desejava que o homem caísse e então permitira que o mal existisse, ou então ele falhou em seu plano de criar algo “perfeito”! E então remendou-o elegendo a Jesus como a expiação perfeita, simples assim! Simples assim?

O filosofo Epicuro antes mesmo de cada um de nós nascermos, já tratava desse tema com certa perspicácia: Deus quer prevenir o mal, mas não consegue? Então ele é impotente. Ele consegue, mas não quer? Então ele é malevolente. Ele quer e consegue? Então por que o mal acontece? Ele não quer e não consegue? Então por que Chamá-lo de Deus?

A verdade sobre Epicuro, contrariando o que alguns possam pensar, ele não era descrente, mas apenas rejeitava a ideia de um deus preocupado com os assuntos humanos, com sua felicidade, dores, tragédias ou que de alguma forma estivesse interessado quer direta ou indiretamente em premiá-lo de bênçãos e prosperidade.

No que tange a realidade da concepção e aceitação da existência de um deus, este conceito torna-se mais coerente, pois explicar um deus que ama todos os seus filhos de igual modo, mas que destina uma mesa farta, um carro do ano, uma mansão para as férias para uns e para outros apenas  o ar que respira é um tanto quanto incoerente!

Pense por você mesmo e tire as suas próprias conclusões!

Paz e Vida

Fernando Saraiva

22 março, 2012

“Os comerciantes do templo”

Hoje em dia, um “pseudoevangelho” invadiu as nossas casas, poluiu as nossas mentes, consumiu o nosso discernimento. Os titãs midiáticos da fé usam de sua retórica, de seu palavreado manso e supostamente “ungido” para ludibriar o cada vez mais crescente número de {fãs} fiéis, seguidores e adoradores extravagantes de plantão.

Desafios e apelos em pró da “continuação da obra de deus”, sempre fazem parte da liturgia dos mestres do cinismo da fé, criaram figuras eufêmicas para caber no bolso das ofertas sem propósitos: semeadores, multiplicadores, patrocinadores, e tantas outras nomenclaturas, que representam a insanidade deste “neoevangelho”, que está mais preocupado em alimentar os insaciáveis “prostitutos da fé”, do que o de anunciar a simplicidade do evangelho.

Nos últimos anos, temos visto na mídia o levantar de uma “igreja” que se utiliza do poder sobrenatural de uma fé piegas, e das figuras carismáticas e  populares de seus lideres, que encontraram assim como muitos políticos, morada no populismo do discurso, para arrebatarem o coração de multidões!

Estes se aproveitam desse discurso, pautado, em parte na ingenuidade do povo, em parte na sua própria ganância e em parte da necessidade e urgência  que vivem para erigir um império as custas de doações, sacrifícios, fogueiras santas, campanhas dos milhões, do perfume da vida, das chaves do céu, do reino celestial, das vestes salpicadas de sangue, dos dentes, do suor do apóstolo, das lascas da cruz de cristo e do que for possível colocar na estante da mercearia da fé, que deixariam as cartas de indulgências como rascunhos de crianças!

Esta igreja, há muito tempo teve suas portas derrubadas, e cujo inferno a muito prevaleceu, não escrevo com ódio nem com rancor em meu coração, mas chega, francamente chega de vê esse evangelho triunfalista e trágico, querendo representar o testamento e a verdadeira cruz de Cristo no Brasil.

A putrefação da mensagem da cruz, a cegueira espiritual, a falta de discernimento, a não construção de uma consciência cristã critica, são fatores que contribuíram para pintar esse quadro de horror, hoje somos uma colcha de retalhos doutrinários, expostos a todos os tipos de doutrinas de demônios.

O caminho é largo e espaçoso, e infelizmente ele encontrou uma bifurcação em muitos templos, em muitas construções de tijolos que tristemente são chamadas de igreja. Que possamos repensar, o que de fato buscamos em Deus, se for pelos motivos errados eu te aconselho, pare por ai mesmo. Nunca confie em alguém que manda você fechar as escrituras na hora do culto, ou apenas pregue facilidades e prosperidade, pois foi justamente esse o discurso que o tentador usou para tentar afastar Cristo de sua obra no deserto!

Que Deus em Cristo seja louvado sempre!

Fernando Saraiva

19 março, 2012

Porta dos Desesperados: Uma igreja na UTI

Nunca, jamais, e em tempo algum, na história do cristianismo, o fato de ser cristão esteve tão em moda, como nos nossos dias. Há uma infinidade de placas denominacionais, com uma variedade ainda maior de “doutrinas e costumes”, uns até bem “esquisitos” e outros totalmente espúrios e malignos.

Hoje a fé cristã, saiu do armário, das noites perdidas em orações e ações de graça, da comunhão e do partir do pão, para alcançar a mídia, abraçar e ser dominada pelo mundo, vendendo a sua virtude em um coito demente e putrefato.

A “fé institucionalizada” flertou, assediou e se enamorou com o poder, como o grande peso do dinheiro, com os bastidores políticos, com o egoísmo e a ganância dos homens de “paletó”, do agir miraculoso de Deus nas finanças, na aquisição de mais um carro novo importado, na prosperidade sem propósito, que tem como o único objetivo, alimentar o superego do ser humano e o levar ao consumismo intempestivo.

Parece que estamos trilhando um caminho sem volta, no qual os objetos e lugares “santos”, já não representam mais a grandeza e a glória de Deus, mas, apenas um mero ambiente místico no qual você se dedica minutos em orações e clamores deterministas e insanos, atrás de vitórias e conquistas pessoais, que em nada acrescentarão na exposição prática da fé cristã e de sua máxima, “amai uns aos outros como, eu vos amei a vós” João 13.35.

Certa vez uma amiga cristã me dissera: ___Você só expõe coisas negativas sobre a igreja, será que elas não possuem nada de bom para nós? Creio nos pontos positivos e relevantes dela, mas infelizmente não posso fechar os olhos para o que vejo, isso seria indesculpável. Encontro muito mais seriedade e compromisso, em uma apresentação circense do que em muitas “igrejas” por aí.

Questiono-me incansavelmente, devo parar de expor as mazelas da “igreja” e pintar o mundo cor de rosa e  de lilás?__ Não!

A fé alheia tornou-se um grande negócio, com lucro certo e garantido. Impérios televisivos, contas em nomes de terceiros em “paraísos” fiscais, aquisições de fazendas de gado, e de tolos. Tudo isso em nome de Deus e em nome de Jesus, por um sonho, por um desafio, por uma falta de caráter desmedida e por um comodismo e analfabetismo intencionalmente bíblico fabricado.

Quem quiser vender ou repartir as vestes de Cristo por um punhado de prata, e uma lasca de cobre, pode vim, as portas do inferno, que não necessariamente são aquelas desenhadas pelas igrejas/templos, estão abertas para você, basta escolher viver um evangelho corrompido e eleger seus apóstolos, bispos e missionários, e por falar em apóstolos para aqueles que buscam um exemplo, Judas está aí!

Paz e Vida

Fernando Saraiva

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