20 maio, 2013

“Os grileiros do reino”

Atualizado em: 17/02/2017

O título inicial desse texto era “Os representantes do evangelho”,  no entanto, tal palavra mostrava-se longe da realidade da ideia que queria expressar ao dirigir essas palavras ao papel da consciência. Grileiro, que denota aquele que age na ilegalidade, por meio de falsificações de documentos para torna-se proprietário de terras, exprime com mais fidelidade a dimensão dos pensamentos aqui transcritos, vamos a reflexão!

Particularmente ainda acredito no amor fraternal do cristianismo, naquele amor dos primeiros momentos, um amor humano, desprendido de status, de exaltações pessoais, de fome e sede pela verdade das escrituras, um amor que oferece a outra face, e o silêncio como resposta, de um cristianismo que se fortalecia entre o Coliseu e as prisões romanas!

Hoje muito embora ainda “revestido” sobre a identidade de amor fraternal, o cristianismo, o qual vemos todos os dias, ver-se perdido, sem rumo. Diante do esfacelamento de sua unidade, as escrituras, encontra-se diluído no vaso de doutrinas e de costumes perpetrado por homens, que em nome de seus cargos, títulos e de uma falsa autoridade, assenhoriam-se de Deus, da verdadeira mensagem do evangelho, apiedam-se de sua pobreza espiritual e juntam para si, paraísos materiais nesse lado da eternidade.

Infelizmente é cada vez mais comum, vermos líderes que corrompem seu povo e a mensagem das escrituras, fazendo apelos emocionais, apostando na fé das pessoas, nas suas necessidades e urgências, para juntar vultuosas somas de riquezas, baseada entre outros fatores, na ignorância e ganância desses, para galgarem prestígio na comunidade cristã e no meio político e econômico, viva o reino!

Tais lideres em seu cinismo, utilizam-se de “prerrogativas cristãs" para alcançarem vantagens pessoais, usam-se de chantagem e supostos favores divinos que este alcançariam para a sua plateia, destronando a Cristo do papel de mediador entre Deus e os homens, sendo eles mesmos, os portadores de bênçãos e maldições para aqueles que assistem as suas peçonhosas palavras.

Frases do tipo: Tenha amor pela obra de Deus, e contribua! São repetidas como mantras, como se Deus precisasse de algum templo construindo por mãos humanas para se abrigar!

Nos últimos meses acompanhei de perto intensos debates sobre quem representa quem no cenário político brasileiro, o mais triste de tudo isso, é vê que pessoas, herdeiras das promessas do profeta Jesus, o qual Paulo se referia como sendo aquele a quem os cristãos deveriam se assemelhar, ser substituído por figuras como Feliciano/Malafaia/José Wellington/R.R Soares/Macedo/ Valdomiro e tantos outros que representam somente a si mesmo e a sua ganância por poder e dinheiro.

O esquecimento de máximas cristãs de exame às escrituras sagradas, conforme pode ser observado em (Atos 17.11) em (I João 4:1-6) e tantos outros fragmentos textuais, denotam e dão a impressão, do analfabetismo bíblico de nossos irmãos, que em muitos casos são cúmplices dessa falsificação das palavras de Cristo, justamente por que buscam atender os seus próprios desejos carnais de riqueza e bem-estar, viva o reino!

Conforme aborda o escritor bíblico “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. (I Co 15:19). Aquilo que Deus oferece de graça e por graça, jamais pode ser comprado, negociado e falsificado por nenhuma intenção humana, ele sonda os nossos corações e mentes, e humilhará os soberbos e os mentirosos!

Cristo Jesus, a muito deixou verbalmente expresso que é "desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele" ( Mt 11:12 ), muito tomam para si as portas do reino, como se suas palavras fossem maiores do que as do mestre e salvador. Crer em um evangelho além da graça, é tornar-se escravo de um nova antiga lei de causa e efeito!

Crer nesses grileiros do reino, é dizer a si mesmo, que o favor imerecido de Deus dado por Jesus é insuficiente para salvar, sejamos autênticos e vigiemos e preservemos a verdadeira mensagem da cruz, mesmo ela nos acusando de pecadores, amantes dos prazeres e irreconciliáveis, pois quem faz de fato a obra é Deus!

Reflexão é Vida!

Fernando Saraiva

04 janeiro, 2013

Um cristianismo de pontes e muros

Em minhas inflexões “Vim a perceber que meu descontentamento nunca fora com aquela igreja especificamente, mas sim com o cristianismo contemporâneo como instituição” Spencer Burke. O blogueiro Danilo Fernandes foi ao cerne da questão ao dizer que “A igreja não deveria ser vista pelo mundo como aquela que quer impor as suas “verdades”, mas como aquela que engrandece o mundo por amor a verdade.”. 

Bem, não sei ao certo em que ponto do cristianismo a igreja cristã se perdera, em quais doutrinas o amor foi institucionalizado, se estancou, se esfriou. Não sei ao certo se hoje vivemos a verdadeira “boas novas” anunciadas por Jesus em nossas congregações e na vida pratica, aquela que realmente importa!

Hoje o “amor sem diferença... o amor sem preconceito” tornou-se um amor superficial, um amor engessado, limitado pelas tensões e pré-conceitos religiosos. Falo particularmente do cristianismo, pois, acredito nele, acredito que existam pessoas que se importam com as dores dos nossos irmãos não alcançados pela graça.

É interessante e triste pensar que em menos de dois milênios... Quando se fala em igreja cristã... Um sentimento amargo e pesaroso se instala, e que ao pensar em seus seguidores, palavras como preconceituosos, intolerantes, hipócritas são facilmente encontradas, se diferenciando em muito com o proceder que fizeram com que herdássemos o titulo de Jesus (Atos dos Apóstolos 11:26).

A igreja tratou de erguer um muro entre as pessoas ao invés de construir pontes. Isto é uma realidade, um fato, não obstante reversível. Sei que não se trata de uma tarefa fácil, mas que começa pelo protesto e critica que cada um de nós pode fazer a respeito do cristianismo que nós mesmos vivemos e de como este convive com as demais pessoas ao nosso redor. Sempre temos que autoavaliar que pessoas de diferentes fés, diferentes procederes, não tem culpa e nem são culpadas de dividir o mesmo ar que você. 

Paz e Vida,
Fernando Saraiva

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